Cuidados por fase de crescimento Guia explicativo
Filhote antes das 8 semanas: os cuidados que essa idade pede
Entenda por que o melhor lugar para o filhote até perto das 8 semanas é junto da mãe e o que fazer, sempre com o veterinário, quando ele está órfão ou foi resgatado novinho demais.
Foto: Koosg Imagine a ninhada amontoada sobre a barriga da mãe, cada filhote empurrando o outro para achar a teta. Essa cena resume as oito primeiras semanas de vida: a fase mais delicada e, ao mesmo tempo, a que mais pesa na formação do cão. É a mãe quem alimenta, aquece, ajuda a fazer xixi e cocô e mostra como se conviver com outros cães. Por isso, a orientação geral é que o filhote fique com ela e com os irmãos pelo menos até perto das 8 semanas, às vezes um pouco além.
Só que a vida nem sempre segue o ideal. Há filhotes largados em caixas de papelão, achados na calçada ou que perdem a mãe cedo. Nessas situações o cuidado é intenso e pede acompanhamento veterinário de perto, já que um pequeno deslize de temperatura, hidratação ou alimentação pode virar algo grave em poucas horas. Este guia mostra o que se passa nessa etapa e o que você pode fazer enquanto procura esse atendimento.
O que só a mãe e os irmãos conseguem dar
O leite da mãe, sobretudo nos primeiros dias, traz nutrientes e anticorpos que protegem o filhote enquanto as defesas do corpo dele ainda estão imaturas. Ela também deixa a ninhada quentinha e limpa e, ao lamber a barriga e a região genital de cada um, provoca o xixi e o cocô, coisa que os filhotes não fazem sozinhos nas primeiras semanas.
Há ainda as lições de convivência. Na brincadeira com os irmãos, o filhote percebe que, quando aperta demais os dentes, o outro dá um ganido e se afasta. A mãe chama a atenção para os exageros com gestos claros e na medida certa. É assim que se forma um cão que dosa a força da mordida e lê a linguagem do corpo de outros cães.
Quem sai da ninhada antes da hora, sem passar por essa escola, pode ter mais trabalho para lidar com mordidas, com frustração e com outros cães. Isso não quer dizer que vá se tornar um cão difícil, apenas que vai pedir mais cuidado no treino e na socialização nos meses seguintes.
Quando um filhote muito novo chega às suas mãos
Comece tentando calcular a idade. De olhos fechados, ele provavelmente tem menos de duas semanas. Com os olhos abertos, mas andando como quem tropeça nas próprias patas, deve estar entre duas e quatro semanas. Se já caminha firme, mostra dentinhos e fareja a comida com interesse, pode ter de quatro a oito semanas. Esse palpite serve só para começar a conversa com o veterinário, que precisa examinar o filhote o mais rápido possível, de preferência no mesmo dia.
Se a mãe pode estar por ali, como numa ninhada encontrada num terreno baldio, observe de longe por um tempo antes de recolher os filhotes. A exceção é quando eles correm perigo imediato, estão molhados, machucados ou visivelmente fracos. Nesses casos, recolha com delicadeza e busque ajuda.
Até chegar ao atendimento, o que mais importa é o calor. Filhote frio não digere direito, e dar comida a um filhote gelado pode ser perigoso. Esquente-o devagar, encostado no seu corpo ou numa caixa forrada de toalhas com uma bolsa de água morna enrolada em pano, sempre deixando espaço para ele se afastar caso esquente demais.
- Deixe o filhote num canto aquecido, seco, sem vento e longe de outros bichos.
- Se ele estiver frio ou muito fraco, não dê comida nem líquido: aqueça primeiro e busque atendimento.
- Jamais ofereça leite de vaca, leite em pó comum ou receitas caseiras.
- Leve ao veterinário o quanto antes, ainda que ele pareça estar bem.
Como alimentar o filhote órfão
O filhote que ainda está na fase de mamar e não tem a mãe precisa de sucedâneo de leite próprio para cães, encontrado em pet shops e clínicas. O leite de vaca tem composição diferente do canino e costuma dar diarreia, que num filhote tão pequeno desidrata em pouco tempo. Misturas feitas em casa, com ovo, mel ou outros ingredientes, também ficam de fora.
Quanto oferecer, de quanto em quanto tempo e de que jeito, com mamadeira ou outro método, varia com a idade, o peso e o estado de cada filhote. Quem define esses detalhes é o veterinário, que também ensina a posição certa: o filhote mama de barriga para baixo, como faria na mãe, e nunca deitado de barriga para cima como um bebê, porque assim o leite pode descer para as vias respiratórias.
Depois de cada mamada, o filhote bem novinho precisa de ajuda para fazer xixi e cocô. Imite a língua da mãe passando, com leveza, um pano macio ou algodão molhado em água morna na região genital. O veterinário mostra a técnica e diz até quando ela é necessária. A passagem para a comida sólida amolecida também acontece aos poucos e com orientação.
Ninho, limpeza e sinais de que algo vai mal
Um bom ninho é uma caixa ou um cercadinho de laterais altas o bastante para o filhote não escapar, forrado com panos fáceis de trocar. Deixe um lado mais quente e outro um pouco mais fresco, para ele escolher onde ficar. Nos dias frios, fique de olho em vento encanado e piso gelado; nos muito quentes, no risco de superaquecer, principalmente perto de janela com sol.
Se o veterinário indicar, pesar o filhote todo dia numa balança de cozinha é um dos recursos mais valiosos dessa fase. Um filhote saudável ganha peso sem parar. Peso que cai ou que empaca costuma ser o primeiro aviso de problema, muitas vezes antes de qualquer outro sintoma.
Nessa idade, a piora é rápida. Choro fraco e constante, corpo frio, dificuldade para sugar, barriga inchada, diarreia, respiração com chiado ou leite escorrendo pelo nariz pedem atendimento imediato.
Deslizes frequentes
Oferecer leite de vaca ou leite em pó comum ao filhote sem mãe.
Use só sucedâneo de leite próprio para cães, na quantidade e no intervalo que o veterinário indicar.
Dar comida a um filhote gelado.
Esquente o filhote antes, devagar, e busque atendimento. Com o corpo frio, a digestão não funciona direito.
Dar a mamadeira com o filhote deitado de barriga para cima.
Ele deve mamar de barriga para baixo, como faria na mãe, para diminuir o risco de o leite ir para os pulmões.
Levar para casa um filhote de 30 ou 40 dias por ele ser mais fofo.
Se a mãe está saudável, deixe o filhote com ela até perto das 8 semanas. Ele ganha muito em saúde e em comportamento.
Checklist
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Hora de chamar o veterinário
Fale com o veterinário quando
- Logo depois de encontrar ou receber um filhote com menos de 8 semanas.
- Filhote frio, fraco, que não consegue mamar ou que chora sem parar.
- Diarreia, vômito, barriga estufada ou leite saindo pelo nariz.
- Peso caindo ou parado.
- Respiração difícil, com chiado ou de boca aberta.
- Olhos inchados ou com secreção antes de abrirem ou logo depois.
A lista serve para orientar e não dá conta de todos os casos. Se você olhar para o filhote e sentir que algo não vai bem, acredite no que está vendo e leve-o a um profissional.
Dúvidas que sempre aparecem
Com que idade o filhote pode deixar a mãe?
A referência mais aceita fica em torno de 8 semanas, desde que ele esteja saudável e já comendo sozinho. Em algumas raças, criadores e veterinários preferem aguardar um pouco mais.
Leite sem lactose serve para o filhote órfão?
Não serve. O leite sem lactose ainda é leite de vaca e não tem a composição certa para filhotes de cachorro. O indicado é o sucedâneo de leite próprio para cães.
Um filhote de 5 semanas já come ração?
Muitos começam a provar comida sólida amolecida entre 3 e 5 semanas, aos poucos e sem deixar de mamar. No filhote órfão, essa troca deve ser conduzida pelo veterinário.
Dá para dar banho num filhote que acabou de ser resgatado?
Num filhote muito novo, o banho pode derrubar a temperatura do corpo de forma perigosa. Limpe só o essencial com um pano úmido e morno e seque muito bem. Pergunte ao veterinário a partir de quando o banho é seguro.
Texto ligado ao tema Cuidados por fase de crescimento. O guia desse tema reúne o que fazer em cada idade, os deslizes mais vistos e a lista inteira para marcar.
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Socializar um filhote que cresceu sem ninhada
O filhote criado só por pessoas deixa de aprender parte do que a ninhada ensina. Dá para compensar uma parte disso com encontros controlados com cães calmos, vacinados e saudáveis, quando o veterinário achar que é seguro. Em certos casos, o filhote pode ir para uma ninhada adotiva, com uma cadela que esteja amamentando, sempre sob supervisão de um profissional.
Em casa, mostre desde o começo que mão não é brinquedo, oferecendo objetos próprios para morder, e treine a paciência com pequenas esperas, como aguardar alguns segundos antes de ganhar o petisco. Depois das 8 semanas, siga as dicas de socialização do filhote e de controle das mordidas com atenção dobrada. A página da fase até 8 semanas de vida reúne os marcos esperados para esse período.