Guia do tema

Vacinas e prevenção no primeiro ano do filhote

Entenda como vacinas, vermífugos e antiparasitários entram no primeiro ano, como planejar as idas ao veterinário e quais sinais de saúde merecem atenção.

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  • Revisto em 7 de outubro de 2026
Vacinação e cuidados preventivos: filhote de cachorro em casa Foto: Army Medicine

Nas primeiras mamadas, o filhote recebe da mãe, sobretudo pelo colostro, anticorpos que o defendem durante algumas semanas. Essa proteção emprestada vai se esgotando, e é nesse ponto que as vacinas fazem o trabalho delas: treinam a defesa do próprio filhote para reconhecer vírus e bactérias perigosos antes que ele cruze com eles de verdade. Parvovirose e cinomose continuam frequentes no Brasil e podem matar filhotes sem vacina.

Só que prevenir não se resume a vacinar. Entram nessa conta o controle de vermes, pulgas e carrapatos, as consultas que acompanham o crescimento, os cuidados com a casa e o olhar atento para notar cedo quando algo muda. Este guia mostra como essas partes se combinam ao longo do primeiro ano. Aqui você não vai encontrar doses nem protocolos prontos: o esquema adequado ao seu filhote depende da idade dele, da região onde vocês vivem, do histórico de saúde e da avaliação do médico-veterinário.

Como a vacinação do filhote funciona

No Brasil, a vacinação se apoia nas vacinas polivalentes, as conhecidas V8 e V10. Numa única picada, elas protegem contra várias doenças, como cinomose, parvovirose, hepatite infecciosa canina e alguns tipos de leptospirose; o que muda de uma versão para a outra é sobretudo a quantidade de variantes de leptospira cobertas. Ao lado delas está a antirrábica, que previne a raiva, doença fatal que também pode atingir pessoas.

Uma dose só não basta para proteger o filhote. Enquanto os anticorpos da mãe ainda circulam no sangue dele, podem anular o efeito da vacina, e ninguém consegue prever o momento exato em que eles somem em cada filhote. Por isso a polivalente vem numa sequência de doses espaçadas por algumas semanas, que em geral começa entre 6 e 8 semanas de vida e vai até perto de 16 semanas ou um pouco depois. A antirrábica costuma entrar a partir dos 3 a 4 meses. Os reforços seguintes ficam a cargo do veterinário, normalmente uma vez por ano. Quem define o esquema do seu filhote é sempre o médico-veterinário.

Há também vacinas recomendadas de acordo com a rotina e o lugar onde o cão vive, como a da traqueobronquite infecciosa (a famosa tosse dos canis ou gripe canina), a da giárdia e a da leishmaniose, nas regiões onde essa doença é frequente. O veterinário indica quais valem para o seu filhote. Para entender o esquema em detalhes, veja vacinas do filhote: como funciona o esquema.

Vermes, pulgas e carrapatos

Verme em filhote é muito comum. Vários já nascem com eles, passados pela mãe na gestação ou na amamentação. Pode aparecer barriga inchada, pelo opaco, diarreia, vômito e um crescimento mais lento do que o esperado, mas muitos filhotes com vermes parecem perfeitamente bem. Por isso o controle começa cedo e se repete em intervalos curtos nos primeiros meses, seguindo o protocolo que o veterinário monta de acordo com a idade e o peso.

Pulga e carrapato não são só um incômodo. A pulga provoca coceira e alergia e ainda pode passar um tipo de verme do intestino. O carrapato transmite doenças graves, como erliquiose e babesiose, que o povo chama de doença do carrapato. Com o calor brasileiro, eles aparecem em qualquer mês, e o carrapato-marrom se adapta muito bem a casas e apartamentos, escondido nas frestas, atrás do rodapé e nas costuras da caminha.

Os antiparasitários vêm em vários formatos, como comprimido, pipeta e coleira, e cada um tem idade mínima e faixa de peso indicadas. Produto de cão adulto pode fazer mal ao filhote, e produto de cão jamais deve ser usado no gato da casa. Escolha junto com o veterinário, que leva em conta a região, como o mosquito da dirofilariose no litoral e o mosquito-palha, que transmite a leishmaniose. Saiba mais em vermífugos, pulgas e carrapatos.

As consultas do primeiro ano

Marque a primeira consulta para os primeiros dias depois que o filhote chegar, ainda que ele pareça ótimo e já tenha tomado alguma vacina. Nesse encontro o veterinário examina o corpo inteiro, confere a carteira de vacinação, procura sinais de verme ou de problemas de nascença e monta o calendário de prevenção. É a hora ideal para levar sua lista de dúvidas sobre comida, comportamento e cuidados em casa. O que levar está em primeira consulta veterinária.

Nos primeiros meses, as visitas à clínica acompanham as doses de vacina, e cada uma delas serve para subir o filhote na balança, ver como ele está crescendo e pegar cedo qualquer mudança. Mais adiante, entre 6 e 12 meses, o assunto costuma ser castração, fim da troca de dentes, dentes de leite que ficaram no lugar e ajustes na alimentação. Passado o primeiro ano, o check-up em geral vira anual, junto com os reforços.

Guarde a carteira de vacinação num lugar fácil de achar e fotografe cada página assim que ela for atualizada. Hotel, creche, banho e tosa, viagens e muitas áreas comuns de condomínio pedem esse documento. Coloque também as datas dos próximos retornos num calendário com aviso.

Socializar sem baixar a guarda

Nos primeiros meses existe um impasse de verdade: as vacinas ainda não terminaram, mas o filhote está na fase em que mais aprende sobre o mundo. Trancá-lo em casa até os 4 meses pode criar um cão medroso; levá-lo para todo lado o expõe a vírus que sobrevivem muito tempo no ambiente, como o da parvovirose.

O equilíbrio está em socializar em lugares controlados: receber visitas, conhecer os cães adultos saudáveis e vacinados de amigos, passear no colo ou dentro da bolsa de transporte para ver o movimento, ouvir os barulhos e sentir os cheiros da rua sem pôr a pata no chão. Até o veterinário liberar, fique longe de praças, calçadas muito usadas por cães, pet shops e cantos com cocô acumulado. O tema socialização reúne várias ideias para essa fase.

Prevenção dentro de casa

Uma parte da prevenção acontece no dia a dia, longe da clínica. Quem convive com outros cães, num abrigo ou no trabalho, por exemplo, deve trocar o sapato e lavar as mãos antes de pegar o filhote. O tapete higiênico e o canto das necessidades pedem limpeza todos os dias. Em casa com quintal, recolha as fezes diariamente e não deixe água parada, que chama ratos e mosquitos.

No Brasil, o rato é o grande transmissor da leptospirose, doença grave que também pega em gente. Na época de chuva forte e alagamento, o risco sobe: não deixe o filhote beber água de poça nem andar na enxurrada. Mantenha a ração num pote bem fechado para não atrair roedores.

  • Se você passou por lugares com muitos cães, troque o sapato antes de mexer no filhote.
  • Limpe todo dia o canto das necessidades com produto de uso veterinário ou indicado pelo veterinário.
  • Não deixe o filhote beber água de poça, principalmente depois da chuva.
  • Depois de passear em gramado ou quintal, passe a mão pelo corpo do filhote procurando carrapatos.

O que fazer em cada idade

Toque na idade do seu filhote. Quem já preencheu a idade em Meu filhote vê a aba certa aberta de cara.

Até 8 semanas Recém-chegado ao mundo

  • O melhor é o filhote ainda estar com a mãe e a ninhada, recebendo anticorpos pelo leite materno; quem cuida dos filhotes normalmente começa o controle de vermes nas primeiras semanas, com orientação veterinária.
  • Se receber um filhote nessa idade, peça a carteira com o registro de vermífugos e de qualquer vacina já feita, com data, nome do produto e carimbo do profissional.
  • Se ele chegou antes das 8 semanas e sem a mãe, marque consulta nos primeiros dias: ele corre mais risco de hipoglicemia, desidratação e infecções.
  • Mantenha o filhote longe de cães com vacinação desconhecida e de lugares por onde passam muitos cães.
Ver a fase completa de até 8 semanas

Deslizes frequentes

Pensar que o filhote fica protegido depois da primeira dose de vacina.

A proteção vem com a série inteira. Enquanto o veterinário não liberar, continue evitando os lugares de risco.

Comprar a vacina e aplicar em casa ou na loja, sem acompanhamento profissional.

A vacina exige transporte e conservação na temperatura certa e um exame clínico antes da picada. Vacine com o médico-veterinário, que anota lote e data na carteira.

Dividir o antipulgas de cão adulto para usar no filhote.

Todo produto tem idade e peso mínimos. Peça ao veterinário a indicação certa para o peso atual do filhote.

Manter o filhote completamente isolado até o fim das vacinas.

Socialize em lugares controlados: em casa, no colo, com cães vacinados e saudáveis. O isolamento total na fase de aprendizado pode deixar medos que duram.

Adiar o reforço anual porque o cão quase não sai de casa.

Vírus podem entrar grudados no sapato, e a raiva pode chegar por morcegos que entram nas casas. Deixe os reforços sempre em dia.

Esperar o filhote piorar para só então buscar ajuda.

Filhote desidrata e piora muito depressa. Vômito ou diarreia que se repetem, apatia e recusa de comida pedem atendimento no mesmo dia.

Checklist: vacinação e cuidados preventivos

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Hora de chamar o veterinário

Vá ao atendimento agora

  • Vômito ou diarreia que se repetem, sobretudo com sangue ou com cheiro muito forte.
  • Apatia, fraqueza grande ou filhote que não quer se levantar nem brincar.
  • Filhote pequeno que recusa comida e água, ou com sinais de desidratação como gengiva seca e olhos fundos.
  • Falta de ar, tosse forte com secreção ou respiração de boca aberta mesmo em repouso.
  • Convulsão, tremores, andar cambaleando ou contrações musculares involuntárias.
  • Rosto inchado, coceira forte que aparece de repente ou vômito logo depois de uma vacina.

Agende uma consulta ou pergunte

  • Primeira consulta assim que ele chegar e retornos a cada etapa do calendário de vacinas.
  • Coceira que não passa, falhas no pelo, feridas ou pulgas aparecendo com frequência.
  • Secreção nos olhos ou no nariz, espirros seguidos ou tosse leve que se arrasta por mais de alguns dias.
  • Barriga inchada, vermes à vista nas fezes ou crescimento abaixo do esperado.
  • Dúvidas sobre vacinas opcionais, castração ou prevenção própria para a sua região.

A lista serve para orientar e não dá conta de todos os casos. Se você olhar para o filhote e sentir que algo não vai bem, acredite no que está vendo e leve-o a um profissional.

Para ir mais fundo

Textos do acervo que olham de perto cada pedaço de vacinação e cuidados preventivos.

Dúvidas que sempre aparecem

Meu filhote chegou do canil com uma vacina. Vai precisar repetir?

Leve a carteira na primeira consulta. O veterinário vai ver o que foi aplicado, em que idade e se o registro merece confiança, e então decidir como seguir a série. Às vezes uma dose dada cedo demais precisa ser completada.

O filhote pode reagir mal à vacina?

Reações leves, como sono, um pouco de dor onde foi a picada ou febre baixa por um dia, podem acontecer. Rosto inchado, vômito, falta de ar ou desmaio são raros, mas são urgência: volte ao veterinário na mesma hora.

A partir de quando o filhote pode passear na rua?

Em geral depois que a série de vacinas termina e o veterinário dá a liberação, o que costuma ocorrer perto dos 4 meses. Até lá, passear no colo ajuda na socialização. Veja quando o filhote pode passear na rua.

É obrigatório vacinar sempre com o mesmo veterinário?

Não é obrigatório, mas seguir com o mesmo profissional deixa o histórico mais organizado. Se trocar, leve a carteira com todos os registros anteriores.

Cão que não sai de casa precisa de antipulgas?

Na maior parte dos casos, precisa. Pulgas e carrapatos chegam pela roupa, por outros animais e, no caso do carrapato-marrom, podem se instalar dentro de casa. O tipo de produto e o intervalo ficam a cargo do veterinário.