Guia do tema
Alimentação do filhote: o guia de ponta a ponta
Como escolher a ração, em quantas refeições dividir o dia, quanto servir, como cuidar da água e que alimentos fazem mal ao filhote em cada idade.
Foto: Frank Vincentz Pense no filhote que chegou cabendo numa caixa de sapato e, meses depois, já ocupa metade do sofá. No primeiro ano, ele multiplica o próprio peso várias vezes. O de porte pequeno fica quase do tamanho adulto lá pelos 9 ou 10 meses. O de porte grande segue formando ossos e articulações até 15, 18 meses ou mais. Toda essa obra sai do que cai no pote. Por isso a comida do filhote não é uma miniatura da comida do adulto: ela pede mais energia por quilo, mais proteína de qualidade e um equilíbrio bem calculado entre cálcio e fósforo.
Alimentar bem um filhote, porém, não precisa ser complicado. Basta uma ração completa feita para a idade e o porte, refeições em horário certo, porções acertadas olhando o corpo do cão (e não só a tabela do pacote), água limpa o tempo todo e cuidado com o que fica ao alcance do focinho. Este guia mostra cada uma dessas peças, como elas mudam de uma fase para outra e quais sinais pedem uma conversa com o médico-veterinário.
Por que o filhote come uma ração só dele
As rações de filhote, que aparecem nas prateleiras como linha puppy ou junior, são pensadas para um período de crescimento acelerado. Em geral trazem mais calorias por grama, mais proteína e mais gordura que as de adulto, com minerais em proporções ajustadas para a construção do esqueleto. Ração de adulto no pote do filhote pode deixá-lo com energia de menos; ração de filhote por anos no pote do adulto costuma levar a quilos a mais.
O porte pesa na escolha. Filhotes de raças grandes e gigantes, como labrador, golden, pastor-alemão e rottweiler, são mais sensíveis ao cálcio em excesso e ao crescimento rápido demais, que se ligam a problemas nos ossos e nas articulações. Por isso há rações para filhotes de porte grande, com energia e minerais controlados. Já os pequenos e mini têm estômago miúdo e metabolismo acelerado, e vão melhor com grãos menores e refeições mais frequentes.
No pacote, procure a informação de que o alimento é completo para a fase de crescimento. Os chamados complementares, como boa parte dos petiscos e alguns sachês, não cobrem tudo o que o filhote precisa e não podem ser a base do cardápio. As linhas premium e super premium em geral usam ingredientes mais fáceis de digerir, o que tende a dar cocô mais firme e em menor quantidade. Ainda assim, a melhor ração é a que o seu filhote aceita, digere bem e cabe no seu bolso mês após mês.
Quanto servir: a tabela é o começo da conversa
Todo pacote de ração traz uma tabela que cruza a idade e o peso atual (ou o peso adulto previsto) com a quantidade de gramas por dia. Serve como largada, mas foi calculada para um cão médio. O seu pode ser mais elétrico ou mais sossegado, viver em apartamento ou numa casa com quintal, ser castrado mais tarde ou não. Divida o total do dia pelas refeições e, nas primeiras semanas, pese a ração numa balança de cozinha: os copinhos medidores enganam bastante.
O acerto fino vem das suas mãos. Passe os dedos pelas laterais do peito: no filhote em boa forma, as costelas aparecem ao toque sob uma camada fina, sem ficarem marcadas à vista. Olhando de cima, deve haver uma cinturinha logo atrás delas. A barriga redonda depois da refeição é normal, mas uma barriga sempre estufada e dura, com pelo sem brilho, pode ser sinal de verminose e merece avaliação.
Pese o filhote com frequência. Em casa, suba na balança com ele no colo e desconte o seu peso. Registre os números a cada uma ou duas semanas no perfil do filhote. Ganho contínuo é o esperado; perda de peso ou peso parado por mais de uma ou duas semanas, num filhote que deveria estar crescendo, é motivo para consulta.
Quantas refeições e em que horários
O filhote pequeno não dá conta de comer de uma vez tudo o que precisa no dia, e os de raças mini correm risco de hipoglicemia se passarem muitas horas sem comer. Por isso a porção diária é dividida em várias refeições, que vão diminuindo conforme ele cresce. Como guia geral: quatro refeições perto dos 2 meses, três a partir dos 3 ou 4 meses e duas a partir dos 6 meses, com ajustes conforme o porte. Essa sequência está detalhada em quantas refeições o filhote precisa por dia.
Horário fixo ajuda em várias frentes. O intestino do filhote fica previsível: o cocô costuma vir de 10 a 30 minutos depois da refeição, e isso facilita muito o treino do lugar das necessidades. A rotina também acalma e deixa você perceber depressa quando o apetite some. Cole os horários na porta da geladeira para toda a família ver.
Evite o pote sempre cheio, com ração à disposição o dia inteiro, a tal alimentação livre. Assim fica difícil saber quanto ele comeu, os grãos perdem cheiro e crocância, as formigas aparecem e muitos cães acabam engordando. Sirva a refeição, espere de 15 a 20 minutos e recolha a sobra, sem colocar outra coisa no lugar.
Ração seca, ração úmida e comida natural
A ração seca é a escolha mais prática e comum: dura bem, é fácil de medir e cabe nos brinquedos recheáveis. A úmida, de sachê ou lata, é mais saborosa e ajuda na hidratação, mas costuma custar mais por caloria e, depois de aberta, vai para a geladeira e deve ser usada em dois ou três dias, conforme o fabricante indicar. Muita gente junta uma colherada de úmida à seca; dá certo desde que as calorias da úmida sejam descontadas do total.
A comida natural, preparada com carnes, legumes e outros ingredientes cozidos, pode ser uma boa opção, mas para filhotes só é segura quando montada por um médico-veterinário com formação em nutrição. Uma dieta caseira sem a suplementação correta de cálcio e outros minerais pode causar estragos sérios no esqueleto em poucos meses. O prato temperado da família não conta como comida natural: sal, cebola, alho e gordura em excesso fazem mal.
Se quiser trocar o tipo ou a marca do alimento, vá aos poucos, ao longo de uma semana a dez dias, misturando cada vez mais do novo ao antigo. O roteiro completo está em como trocar de ração sem problemas.
Água, petiscos e o que nunca vai para o pote
Água limpa e fresca precisa estar sempre à mão, trocada no mínimo duas vezes ao dia, com o pote lavado diariamente, porque a baba deixa uma camada escorregadia onde as bactérias se espalham. No calor do Brasil, espalhe mais de um pote em pontos de sombra e fuja dos potes de plástico fino largados ao sol. Cortar a água para reduzir o xixi é um erro: o certo é levar o filhote ao lugar combinado com frequência.
Petiscos ajudam muito no treino, mas têm calorias. Uma referência comum é que não passem de cerca de 10% do total do dia. Dá para usar parte da própria ração diária como prêmio. Leite de vaca não faz falta depois do desmame e costuma soltar o intestino, porque muitos cães digerem mal a lactose.
Alguns alimentos de qualquer cozinha são tóxicos para cães mesmo em pouca quantidade, como chocolate, uva e uva-passa, cebola, alho, produtos com xilitol, café e bebida alcoólica. Osso cozido pode lascar e furar o intestino. A lista inteira, com o que fazer se ele comer algo assim, está em alimentos que fazem mal ao filhote.
- Guarde a ração num pote com tampa, longe do sol e da umidade, com o saco original dentro dele para não perder a validade e o lote.
- Lave o pote de comida depois de cada refeição, principalmente quando usar alimento úmido.
- Escolha potes de inox ou cerâmica, que riscam menos e são mais fáceis de limpar que os de plástico.
- Combine com a família quem serve o filhote e em que horário, para ninguém dar a refeição duas vezes.
O que fazer em cada idade
Toque na idade do seu filhote. Quem já preencheu a idade em Meu filhote vê a aba certa aberta de cara.
Até 8 semanas Recém-chegado ao mundo
- O melhor cenário é o filhote ainda junto da mãe e da ninhada: o leite materno e o desmame aos poucos, que costuma começar entre 3 e 4 semanas, ficam a cargo de quem cuida da ninhada, e é raro o tutor recebê-lo em casa nessa idade.
- No desmame, a ração de filhote geralmente é servida amolecida em água morna, com jeito de papinha, e vai ganhando consistência com o passar das semanas.
- Se um filhote dessa idade chegou sem a mãe, leve-o ao veterinário já nos primeiros dias: ele vai dizer se ainda é preciso usar sucedâneo de leite próprio para cães (nunca leite de vaca) e como fazer a passagem para a ração.
- Pergunte ao criador ou ao abrigo qual ração e quantas refeições o filhote recebe, para repetir o mesmo cardápio na chegada.
2 a 3 meses Chegada em casa
- Em geral são quatro refeições por dia, espalhadas entre o começo da manhã e o início da noite, com intervalos parecidos.
- Siga com a ração de antes por ao menos uma ou duas semanas; a mudança de casa já pesa bastante no intestino.
- Nas raças mini, evite longos jejuns: tremedeira, fraqueza e sono fora do comum podem ser hipoglicemia e pedem atendimento.
- Separe alguns grãos da ração para premiar os primeiros treinos de nome e de xixi no lugar.
3 a 4 meses Explorador curioso
- Boa parte dos filhotes já pode passar para três refeições diárias; repare se ele dá conta da porção maior em cada uma.
- Refaça a conta da porção conforme o peso: nessa idade ele cresce depressa e a quantidade da tabela muda de uma semana para outra.
- Sirva a ração em cômodos diferentes e dentro de brinquedos recheáveis, para que comer também exercite a cabeça.
- Ensine calma na hora da comida: peça um senta antes de o pote tocar o chão.
4 a 6 meses Troca de dentes
- Na troca de dentes, a gengiva pode ficar dolorida e a fome variar por alguns dias; molhar de leve a ração pode ajudar.
- Recusar a comida por completo por mais de um dia não é normal, nem na troca de dentes, e pede contato com o veterinário.
- Mantenha as três refeições e confira a forma do corpo a cada duas semanas, pelas costelas e pela cintura.
- Raças grandes seguem com ração própria para filhotes de porte grande, sem cálcio extra dado por conta própria.
6 a 12 meses Adolescência
- A maior parte dos filhotes passa para duas refeições por dia, uma de manhã e outra no fim da tarde.
- Raças pequenas costumam estar prontas para a ração de adulto entre 9 e 12 meses; as médias, por volta dos 12 meses. Confirme a hora com o veterinário.
- Se a castração acontecer nessa fase, o gasto de energia costuma cair depois dela; revise a porção para não haver ganho de peso.
- O adolescente muitas vezes pede comida por puro tédio: ofereça brinquedos de faro e de roer antes de aumentar os petiscos.
12 a 18 meses Rumo à vida adulta
- Raças grandes e gigantes em geral ainda estão crescendo e podem seguir na ração de filhote de porte grande até 15 a 18 meses ou mais, como o veterinário orientar.
- A mudança para a ração de adulto também é feita aos poucos, ao longo de uma semana a dez dias.
- Com o crescimento chegando ao fim, a necessidade de calorias por quilo diminui: siga a tabela da ração de adulto e confira o peso todo mês.
- Firme os hábitos que vão durar a vida toda: dois horários certos, petisco com moderação e água sempre fresca.
Deslizes frequentes
Seguir a tabela do pacote ao pé da letra sem olhar para o corpo do filhote.
Use a tabela como largada e mexa na porção em 5% a 10%, para cima ou para baixo, conforme as costelas, a cintura e a curva de peso.
Manter o pote cheio de ração o dia inteiro.
Sirva as refeições em horário certo e retire a sobra depois de 15 a 20 minutos; assim você controla a quantidade e nota logo se o apetite mudou.
Mudar de ração da noite para o dia.
Faça a troca ao longo de uma semana a dez dias, misturando cada vez mais do alimento novo ao antigo, para evitar vômito e diarreia.
Dar cálcio ou vitaminas por conta própria a filhotes de porte grande.
A ração completa de filhote já traz os minerais na medida certa; cálcio demais pode atrapalhar a formação dos ossos. Suplemento, só com indicação do veterinário.
Servir leite de vaca para o filhote crescer forte.
Depois do desmame ele não precisa de leite, e a lactose costuma causar diarreia. Água fresca e ração completa dão conta do recado.
Repartir com o filhote a comida temperada da família.
Sal, cebola, alho e gordura fazem mal, e o costume ensina o filhote a pedir na mesa. Para variar, use petiscos feitos para cães ou pedacinhos de alimentos seguros, sem tempero, dentro do limite do dia.
Recolher a água à noite para evitar xixi.
Deixe a água disponível e leve o filhote ao lugar das necessidades antes de deitar e logo ao acordar; desidratação é bem mais perigosa que um xixi fora do lugar.
Checklist: alimentação
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- Suspeita de que ele comeu chocolate, uva ou passa, xilitol, cebola, alho, remédio de gente ou qualquer produto tóxico, mesmo que pareça bem por enquanto.
- Vômitos seguidos, sobretudo com sangue, ou ânsia sem conseguir vomitar, com a barriga inchada.
- Diarreia repetida ou com sangue, principalmente junto de prostração, febre ou recusa de água.
- Filhote pequeno que não come há mais de um dia, ou filhote de raça mini com tremores, fraqueza ou sono fora do normal.
- Suspeita de que ele engoliu osso, brinquedo, meia ou outro objeto, ainda mais se houver vômito, dor ou falta de cocô.
Agende uma consulta ou pergunte
- Para escolher o tipo e a quantidade de ração no começo e confirmar o porte adulto esperado.
- Cocô mole com frequência, gases demais ou coceira que não passa, que podem estar ligados à comida.
- Ganho de peso abaixo ou acima do esperado em duas pesagens seguidas.
- Se você pensa em dar comida natural ou caseira: ela precisa ser montada por um profissional.
- Para definir a hora de mudar para a ração de adulto, em especial nas raças grandes.
A lista serve para orientar e não dá conta de todos os casos. Se você olhar para o filhote e sentir que algo não vai bem, acredite no que está vendo e leve-o a um profissional.
Para ir mais fundo
Textos do acervo que olham de perto cada pedaço de alimentação.
Quantas vezes por dia o filhote deve comer
O motivo de o filhote comer várias vezes ao dia, como passar de quatro para duas refeições sem sustos e sugestões de horários para quem trabalha fora.
Troca de ração sem dor de barriga: o passo a passo
Etapas para mudar a ração do filhote em uns 7 a 10 dias, com as proporções de cada fase, os sinais de que tudo vai bem e a hora de ir mais devagar.
Comidas da casa que fazem mal ao filhote
Lista do que circula pela cozinha brasileira e pode intoxicar ou ferir o filhote, o motivo de cada risco e os passos certos se ele engolir alguma…
Petisco e água na rotina do filhote: o que oferecer e quanto
Dúvidas frequentes sobre a quantidade de petiscos, como escolher cada um, quanto o filhote bebe e o que fazer para ele não ficar desidratado nos dias…
Dúvidas que sempre aparecem
Posso molhar a ração do filhote?
Pode. Um pouco de água morna ajuda os filhotes bem novinhos e os que estão trocando os dentes. Prepare só a porção daquela refeição e jogue fora o que sobrar depois de uns 20 minutos, porque a ração molhada estraga depressa, ainda mais no calor.
Meu filhote engole a comida num instante. Isso preocupa?
Comer rápido demais pode causar engasgo e regurgitação. Comedouros lentos, com obstáculos no fundo, tapetes de faro e brinquedos recheáveis fazem a refeição render mais. Se ele vomitar com frequência logo depois de comer, fale com o veterinário.
É normal o filhote comer o próprio cocô?
É algo relativamente comum em filhotes e costuma diminuir com a idade. Recolher o cocô logo, manter as refeições regulares e oferecer atividades ajuda. Se acontecer muito, uma consulta ajuda a descartar fome, verminose ou problemas de absorção.
A ração mais cara é sempre a melhor?
Nem sempre, mas as linhas premium e super premium costumam usar ingredientes mais digeríveis. O melhor termômetro é o filhote: pelo brilhante, cocô firme e bem formado, disposição e crescimento constante. Escolha uma opção completa que você consiga comprar sem interrupções.
Posso oferecer frutas ao filhote?
Algumas frutas sem caroço e sem sementes, como pedacinhos de maçã, banana ou melancia, costumam cair bem como petisco de vez em quando. Uva e uva-passa estão proibidas. Veja mais sobre prêmios em petiscos e água na rotina.