Etapa do crescimento · Recém-chegado ao mundo
Filhote até 8 semanas
Do nascimento ao desmame: por que o filhote precisa ficar com a mãe e os irmãos e de que cuidados ele depende até completar 8 semanas.
Foto: Sharon Byrne Photography Nas oito primeiras semanas, o filhote depende dos outros para quase tudo. Ele chega ao mundo de olhos e ouvidos fechados, regula mal o calor do próprio corpo e precisa da mãe para mamar, se esquentar e até para conseguir fazer xixi e cocô. Por isso, nessa idade o melhor lugar para ele é ao lado da mãe e dos irmãos de ninhada, num canto limpo, aquecido e sossegado.
Além do leite, a vida em ninhada ensina coisas que tutor nenhum consegue copiar por inteiro: os irmãos mostram com um ganido onde a mordida passou do ponto, a mãe corrige sem estardalhaço e o filhote aprende o vocabulário básico dos cães. A separação muito cedo costuma deixar falhas no comportamento e eleva os riscos para a saúde. Se há um filhote dessa idade na sua casa, veja também Filhote com menos de 8 semanas: cuidados especiais.
Quando o filhote é órfão, foi rejeitado pela mãe ou resgatado muito novinho, acompanhamento veterinário de perto é obrigatório. A alimentação com sucedâneo de leite próprio para cães (nunca leite de vaca), o aquecimento, o estímulo para as necessidades e o controle de peso pedem orientação profissional desde o primeiro dia.
O que muda no filhote agora
- Duas primeiras semanas: quase o tempo inteiro é dividido entre dormir e mamar. O filhote se guia pelo toque, pelo cheiro e pelo calor da mãe, e ainda não faz xixi e cocô sem ajuda: é a lambida dela que estimula a região.
- Olhos e ouvidos: em geral os olhos se abrem perto da segunda semana, e os ouvidos pouco depois. No início, enxergar e ouvir ainda é algo borrado, que vai ficando mais nítido nas semanas que vêm.
- Primeiros passos: lá pela terceira semana, o filhote tenta ficar em pé, cambaleia, explora o ninho e começa a interagir com os irmãos. É o começo da passagem para o mundo lá fora.
- Dentes de leite: os primeiros dentinhos surgem entre a terceira e a sexta semana. A partir daí a mãe libera menos mamadas, e isso faz parte do desmame natural.
- Desmame aos poucos: perto de 3 a 4 semanas, o filhote começa a provar papinha pastosa própria para filhotes, sempre junto com o leite da mãe. Em geral, essa passagem termina por volta de 7 a 8 semanas.
- Começo da socialização: a partir da terceira semana se abre a janela de socialização. As brincadeiras com os irmãos, o toque delicado de pessoas e os sons comuns da casa começam a moldar o jeito como ele vai ver o mundo.
- Calor e energia: filhotes muito novos esfriam com facilidade e têm pouca reserva de energia. Passar frio ou ficar muitas horas sem comer pode deixá-los fracos em pouco tempo, principalmente nas raças miniatura.
O que vem primeiro
Junto da mãe e da ninhada
Sempre que der, o filhote deve continuar com a mãe e os irmãos até, no mínimo, 8 semanas. É nesse convívio que ele mama, se esquenta e aprende a linguagem canina, inclusive a dosar a força da mordida.
FasesComida certa para a idade
Nas primeiras semanas, a base é o leite da mãe. No desmame, o sólido entra devagar, umedecido e próprio para filhotes. Leite de vaca não serve no lugar do leite canino. O órfão precisa de sucedâneo de leite para cães, com quantidade e frequência definidas pelo veterinário.
AlimentaçãoNinho quente, limpo e tranquilo
Um ninho sem vento encanado, com forro fácil de trocar várias vezes e num canto quieto, longe de barulho forte. O filhote precisa ter como se afastar da fonte de calor se ficar quente demais.
CasaPrimeira consulta veterinária
O veterinário acompanha o ganho de peso, orienta sobre o controle de vermes e decide quando começar o esquema de vacinas. Órfãos costumam precisar de consultas bem mais frequentes.
Vacinas e prevençãoContatos curtos e delicados
Pegar o filhote com calma por poucos minutos, deixar que ele ouça os ruídos normais da casa e conheça pessoas tranquilas ajuda na socialização, desde que a mãe esteja à vontade e ele não fique esgotado.
SocializaçãoLimpeza sem banho
Nessa idade, banho de imersão não é indicado. Para uma sujeira localizada, em geral basta um pano macio pouco úmido e secar bem; o que mais pesa é manter o ninho limpo.
HigieneTema por tema, nesta idade
Abra cada área para ver, em poucas linhas, como fica o cuidado com um filhote de até 8 semanas.
Alimentação
- O melhor cenário é o filhote ainda junto da mãe e da ninhada: o leite materno e o desmame aos poucos, que costuma começar entre 3 e 4 semanas, ficam a cargo de quem cuida da ninhada, e é raro o tutor recebê-lo em casa nessa idade.
- No desmame, a ração de filhote geralmente é servida amolecida em água morna, com jeito de papinha, e vai ganhando consistência com o passar das semanas.
- Se um filhote dessa idade chegou sem a mãe, leve-o ao veterinário já nos primeiros dias: ele vai dizer se ainda é preciso usar sucedâneo de leite próprio para cães (nunca leite de vaca) e como fazer a passagem para a ração.
- Pergunte ao criador ou ao abrigo qual ração e quantas refeições o filhote recebe, para repetir o mesmo cardápio na chegada.
Vacinação e cuidados preventivos
- O melhor é o filhote ainda estar com a mãe e a ninhada, recebendo anticorpos pelo leite materno; quem cuida dos filhotes normalmente começa o controle de vermes nas primeiras semanas, com orientação veterinária.
- Se receber um filhote nessa idade, peça a carteira com o registro de vermífugos e de qualquer vacina já feita, com data, nome do produto e carimbo do profissional.
- Se ele chegou antes das 8 semanas e sem a mãe, marque consulta nos primeiros dias: ele corre mais risco de hipoglicemia, desidratação e infecções.
- Mantenha o filhote longe de cães com vacinação desconhecida e de lugares por onde passam muitos cães.
Higiene
- O lugar certo do filhote ainda é junto da mãe e dos irmãos: nas primeiras semanas, é ela quem faz a limpeza, lambendo cada um e estimulando xixi e cocô.
- Quem cuida da ninhada mantém a caminha sempre limpa e seca e faz toques breves e delicados, que já vão acostumando o filhote às mãos das pessoas.
- Nada de banho de imersão nessa idade; se ele se sujar, limpe só o pedacinho com pano úmido e morno e seque logo em seguida.
- Se um filhote tão novo veio parar na sua casa, a prioridade é mantê-lo aquecido e com o cantinho de dormir limpo, e qualquer banho só depois de falar com o veterinário.
Sono e rotina
- O ideal é que o filhote ainda esteja com a mãe e a ninhada: ele passa quase o dia todo dormindo, embolado com os irmãos para se aquecer, e acorda sobretudo para mamar e, mais adiante, para as primeiras papinhas sólidas.
- Poucos tutores ficam com o filhote nessa idade. Se acontecer (num resgate ou numa situação fora do comum), leve-o logo ao médico-veterinário, porque ele ainda regula mal a temperatura do corpo e precisa comer com muita frequência.
- Se está escolhendo o filhote, pergunte ao criador ou ao abrigo onde ele dorme e peça um pano com o cheiro da ninhada para acompanhar a mudança.
- Nessa idade, o sono não deve ser cortado o tempo todo por visitas e colo: ser manuseado muitas vezes seguidas esgota o filhote.
Socialização
- O melhor lugar para o filhote nessa idade ainda é junto da mãe e dos irmãos: é ali que ele aprende a conversar com outros cães, a dosar a força da mordida e a tolerar pequenas frustrações.
- Poucos tutores recebem o filhote tão cedo. Na hora de escolher criador ou abrigo, dê preferência a lugares onde os filhotes vivem o vaivém de uma casa, recebem toques suaves de pessoas variadas e já ouvem os ruídos do dia a dia.
- Pergunte como os filhotes são pegos no colo e se já pisaram em superfícies diferentes, mexeram em brinquedos e ouviram barulhos variados.
- Se um filhote dessa idade ficar aos seus cuidados sem a mãe, peça ao veterinário orientação sobre alimentação, aquecimento e higiene, e dê a ele contato humano carinhoso em momentos curtos.
Adestramento básico
- O melhor lugar para o filhote nessa idade é junto da mãe e dos irmãos, onde ele aprende a dosar a mordida e a conversar com outros cães. Poucos tutores o recebem em casa tão cedo.
- Criadores e abrigos cuidadosos já incentivam a ninhada a se aliviar longe do canto de dormir, e isso adianta bastante o treino do xixi mais tarde.
- O que conta agora é ser manuseado com delicadeza e ter boas experiências com pessoas, sem treino formal.
- Se um filhote dessa idade estiver sob seus cuidados, siga o que o veterinário orientar e concentre-se em rotina, aquecimento, alimentação e sono.
Mordidas e comportamento
- O melhor lugar para o filhote nessa idade é junto da mãe e dos irmãos: é brincando com eles que ele aprende a medir a força dos dentes. Poucos tutores recebem um filhote tão novo.
- Se você acompanha a ninhada ou teve de adotar um órfão, ofereça contato suave com pessoas, toques rápidos nas patas e na boca e brinquedos macios variados, sempre com orientação do veterinário.
- Os dentes de leite estão despontando: as mordiscadas são fraquinhas, mas já é hora de trocar o dedo por mordedores macios.
- Nessa idade, o choro quase sempre quer dizer fome, frio ou falta da mãe, e não manha. O órfão precisa de acompanhamento veterinário de perto.
Passeios
- Nessa idade o lugar do filhote é com a mãe e os irmãos; poucos tutores já o têm em casa, e passeio na rua não faz parte desta etapa.
- Quem cuida da ninhada pode deixar os filhotes explorarem pisos diferentes num ambiente limpo e controlado: tapete, piso frio, a grama do próprio quintal higienizado.
- Ouvir os barulhos da casa e conviver com pessoas tranquilas prepara o filhote para a rua lá na frente, sempre respeitando o sono e a orientação do veterinário.
Enriquecimento ambiental
- O melhor é o filhote ainda estar com a mãe e a ninhada, onde recebe muito enriquecimento natural: brincar com os irmãos, contato e exploração. É raro o tutor tê-lo em casa nessa idade.
- Criadores e cuidadores podem colocar no espaço da ninhada pisos variados, objetos seguros de texturas diferentes e sons baixos da rotina da casa.
- Os brinquedos devem ser macios e grandes o suficiente para não serem engolidos; as brincadeiras duram pouco, porque o filhote passa quase o dia todo dormindo.
Cuidados por fase de crescimento
- Deixar o filhote junto da mãe e dos irmãos sempre que der: é com eles que ele aprende a medir a mordida e a se comunicar.
- Oferecer um canto quentinho, seco e protegido de vento encanado, já que ele ainda não controla bem a temperatura do corpo.
- Para órfãos ou resgatados, contar com acompanhamento veterinário de perto, que vai orientar a alimentação com sucedâneo de leite próprio para cães.
- Pegar no colo com delicadeza e por pouco tempo, sempre por pessoas tranquilas, para ele se acostumar ao toque humano.
- Pesar com frequência, se houver orientação para isso: ganhar peso de forma contínua é um dos melhores sinais de saúde nessa idade.
Preparação da casa
- Se a ninhada está na sua casa, manter um ninho quentinho, seco e com bordas que impeçam os filhotes de sair.
- Forrar o ninho com panos fáceis de lavar e trocá-los várias vezes por dia.
- Quando os filhotes começarem a andar, reservar um canto um pouco longe do ninho para as necessidades.
- Se o filhote ainda vai chegar, aproveitar essas semanas para comprar o básico e fazer a volta de segurança.
Outros cuidados importantes
- Pesquisar clínicas e fechar a escolha do veterinário antes de o filhote chegar.
- Descobrir onde fica a emergência 24 horas mais perto e salvar o telefone.
- Pedir ao criador ou ao abrigo os registros de saúde, de vermifugação e de vacinas que já tenham sido dadas.
- Rascunhar o orçamento do primeiro ano e começar a guardar uma reserva para imprevistos.
Conquistas da idade
- Abertura dos olhos e dos ouvidos nas primeiras semanas.
- Primeiros passos e brincadeiras com os irmãos perto da terceira semana.
- Nascimento dos dentes de leite entre a terceira e a sexta semana.
- Primeiras papinhas e desmame aos poucos a partir de 3 a 4 semanas.
- Lutinhas com os irmãos, que ensinam a controlar a mordida.
- Peso subindo sem parar, conferido de perto nas pesagens.
Fique de olho
- Tirar o filhote cedo da mãe e da ninhada aumenta os riscos para a saúde e para o comportamento.
- Frio e muitas horas sem comer podem enfraquecer o filhote, sobretudo nas raças miniatura.
- Leite de vaca e comidinhas caseiras improvisadas não ocupam o lugar do leite canino nem da ração de filhote.
- Sem as vacinas completas, o filhote não deve ter contato com cães de vacinação desconhecida nem andar em lugares públicos.
- Criança só pega o filhote sentada no chão e com um adulto olhando, para evitar quedas.
- O filhote órfão precisa de estímulo para fazer xixi e cocô, de aquecimento e de pesagens frequentes, sempre com orientação veterinária.
Checklist desta idade
0 de 10 feitos
Hora de chamar o veterinário
Fale com o veterinário quando
- Filhote que não mama, chora sem parar, está gelado ao toque, fraco ou molinho.
- Peso parado ou caindo, diarreia, vômito, barriga muito estufada ou dificuldade para respirar.
- Filhote órfão ou rejeitado pela mãe: leve ao veterinário logo no começo para receber um plano de alimentação e cuidados.
- Para montar o calendário de vermífugo e da primeira vacina, de acordo com a avaliação de cada filhote.
- Secreção nos olhos ou no nariz, ou umbigo avermelhado, inchado ou com secreção.
A lista serve para orientar e não dá conta de todos os casos. Se você olhar para o filhote e sentir que algo não vai bem, acredite no que está vendo e leve-o a um profissional.
O dia a dia nessa idade: Nessa fase, quem dita o ritmo é a mãe: muitas mamadas, muito sono e pequenas voltas de exploração dentro do ninho.
Ver um dia de exemplo para até 8 semanas