Passeios Passo a passo
Filhote puxando a guia: como ensinar a andar ao seu lado
Guia frouxa com reforço positivo, do treino na sala até a calçada: parar quando a guia estica, premiar ao lado da perna e lidar com as distrações da rua.
Foto: Jwh Você mal fecha o portão e o braço já está esticado, com o filhote arrastando você rumo ao primeiro poste. Andar na guia não vem de fábrica, nem para o cão nem para quem segura a outra ponta. Para ele, a calçada é uma festa: cheiros fortes, folha seca rolando, pombo, outro cachorro. Caminhar devagar e em linha reta, como a gente faz, não tem lógica nenhuma do ponto de vista dele. Ele puxa porque quer chegar logo e porque, quase sempre, a pessoa vai junto, o que mostra que puxar funciona.
A guia frouxa se ensina em semanas ou meses, e costuma dar uma recaída na adolescência. O caminho é começar pelo fácil, agir igual em todos os passeios e fazer do lugar ao seu lado o ponto mais interessante da calçada. Antes de tudo, o filhote precisa estar à vontade com o equipamento, como mostra o artigo sobre como escolher coleira, peitoral e guia.
Passo a passo
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1. Mostre que ficar ao seu lado compensa
Em casa, ainda sem guia, caminhe pela sala e premie toda vez que o filhote estiver junto da sua perna, com a mão que segura o petisco baixa, perto do joelho. Defina se ele vai andar à sua esquerda ou à sua direita e fique sempre com esse lado. Depois de umas poucas sessões, de 2 a 3 minutos cada, ele começa a grudar em você.
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2. Coloque a guia ainda dentro de casa
Faça o mesmo exercício com a guia presa, pendurada frouxa em forma de J. Ande alguns passos, marque e premie quando ele estiver ao seu lado sem tensão na guia. Aos poucos, estique para 3, 5 e 10 passos entre um prêmio e outro.
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3. Pare quando a guia esticar
No instante em que a guia ficar esticada, pare e fique parado como um poste. Nada de puxar de volta ou dar tranco. Espere ele aliviar a tensão, olhar para você ou recuar um passo. Marque, premie e volte a caminhar. Logo ele entende a regra: quando puxa, nada acontece; quando a guia fica solta, a caminhada continua.
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4. Mude de direção
Se ele estiver obcecado em seguir reto, vire com voz animada e caminhe para o lado contrário. Quando ele chegar até você, premie. Mudar de direção várias vezes ensina o filhote a ficar atento ao seu movimento.
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5. Saia de casa degrau por degrau
Com a sala dominada, passe para o hall do andar, depois para a garagem e, por fim, para uma calçada sem movimento. Em cada cenário novo, aumente de novo a quantidade de prêmios. Ele vai errar mais nos primeiros minutos em qualquer lugar diferente, e isso faz parte.
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6. Reveze treino e faro
Faça pedaços curtos de guia frouxa e, como prêmio, libere o filhote para farejar com o "pode ir". O passeio segue tendo graça para ele, e por isso ele colabora com mais gosto.
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7. Diminua os petiscos devagar
Quando ele estiver andando bem em vários lugares, deixe o petisco para um trecho sim e dois ou três não, intercalando com elogio e tempo livre para farejar. Não corte os prêmios de uma só vez; mantenha alguns, sobretudo nas situações difíceis.
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8. Espere a adolescência com calma
Dos 6 aos 12 meses, é comum o cão parecer ter apagado tudo. Volte às etapas anteriores, use petiscos mais gostosos e diminua as distrações. A fase passa, e o que foi construído antes ajuda muito. Leia também o que muda na adolescência canina.
O que levar para o treino
Prenda ao peitoral bem regulado uma guia comum, sem extensor, com 1,5 a 2 m. Encha a pochete de petiscos macios, cortados mais ou menos do tamanho de um feijão: nas primeiras saídas, você vai premiar o tempo todo. Na rua, a ração quase nunca compete com tanto cheiro; pedacinhos de petisco feito para cães funcionam melhor, descontados da comida do dia.
Escolha uma palavra para marcar o acerto, como "isso" ou "boa", dita no exato momento em que o filhote faz a coisa certa, e logo depois entregue o petisco. A lógica de marcar e premiar está explicada em como funciona o reforço positivo.
Trechos de treino e trechos de farejar
Pedir guia frouxa durante meia hora inteira é demais para um filhote. Uma saída que dá certo é dividir o passeio: pedaços curtos de treino, de 2 a 5 minutos, com prêmios frequentes, e pausas em que você diz "pode ir" e libera o focinho dele para investigar o canteiro ou a árvore sem pressa, com a guia bamba. Farejar vira o pagamento por ter caminhado bem.
Nos dias em que falta tempo ou paciência para treinar, vale trocar o equipamento, como um peitoral com argola na frente, ou escolher um caminho bem sossegado. Assim o filhote não aprende que, de vez em quando, puxar ainda funciona.
Quando a distração é forte
Um cachorro na calçada da frente, um gato debaixo do carro, um osso de frango no meio-fio: diante de algo assim, a atenção do filhote em você vai a zero. Não adianta balançar o petisco quando ele está a dois metros da tentação. Ganhe distância, atravesse a rua ou mude o rumo, e premie quando ele conseguir olhar para você.
Treine primeiro nos horários e lugares mais calmos e deixe a padaria lotada de domingo de manhã para depois. Se o filhote late, avança ou entra em pânico com frequência, o problema já não é a guia, e o melhor caminho é buscar um adestrador que só use reforço positivo.
Deslizes frequentes
Ir atrás do cão quando ele puxa "só desta vez".
Toda vez que puxar dá resultado, o hábito fica mais forte. Pare sempre que a guia esticar e, quando o dia estiver apertado, faça um trajeto mais simples.
Puxar a guia com força ou usar coleira que estrangula.
O tranco pode machucar e ensina medo, não a andar junto. Parar e premiar ao lado funciona melhor e com segurança.
Fazer a primeira aula logo na avenida cheia de gente e de buzina.
Os primeiros treinos são na sala; os lugares agitados entram bem depois.
Fazer passeios longos com um filhote já cansado.
Quando o cansaço bate, ele puxa mais e guarda menos do que aprendeu. Saídas curtas, várias vezes, dão mais resultado.
Checklist
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Hora de chamar o veterinário
Fale com o veterinário quando
- Tosse, engasgo ou chiado quando puxa, com atenção redobrada nas raças miúdas e nas de focinho achatado.
- Filhote mancando, empaca para andar ou parece sentir dor nas patas ou nas articulações.
- Cansaço exagerado, respiração muito ofegante ou necessidade de deitar várias vezes em passeios curtos.
- Medo forte da rua que não melhora com a exposição feita aos poucos: o veterinário pode indicar uma avaliação de comportamento.
A lista serve para orientar e não dá conta de todos os casos. Se você olhar para o filhote e sentir que algo não vai bem, acredite no que está vendo e leve-o a um profissional.
Dúvidas que sempre aparecem
Em quanto tempo o filhote para de puxar?
Varia com o filhote, com a constância do treino e com as distrações do bairro. Em geral, dá para notar progresso depois de algumas semanas; já caminhar com a guia solta em qualquer cenário costuma levar alguns meses.
Tudo bem ele andar na minha frente?
Tudo bem, desde que a guia esteja frouxa. O que importa não é a posição exata, e sim que ele não puxe. Ficar ao lado ajuda em calçadas estreitas e na hora de atravessar a rua.
E quando ele senta e não quer mais andar?
Pode ser medo, cansaço, calor ou incômodo com o equipamento. Não arraste. Veja se o asfalto está quente e se o peitoral está apertando, dê um tempo, anime com a voz e com petisco e, se precisar, volte com ele no colo e encurte os próximos passeios.
Texto ligado ao tema Passeios. O guia desse tema reúne o que fazer em cada idade, os deslizes mais vistos e a lista inteira para marcar.
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