Mordidas e comportamento Guia explicativo
Filhote que late e pula nas pessoas: como ensinar outro jeito
Saiba por que o filhote late e se joga em cima das pessoas e como ensinar, com reforço positivo, cumprimentos tranquilos e menos latidos.
Foto: Nevit Dilmen Latir e pular fazem parte da conversa entre cães, e nenhum cachorro precisa ser mudo ou ficar parado feito enfeite. O que pesa é o exagero: o latido a cada passo no corredor do prédio, as patas sujas na calça branca da visita, a festa que deixa arranhões nas pernas das crianças. Com poucos quilos, o filhote parece inofensivo; meses depois, já adulto, o mesmo hábito pode render reclamação do vizinho ou derrubar alguém.
O que funciona melhor é descobrir o que o filhote ganha com aquilo e mostrar outro caminho para ele conseguir a mesma coisa. Este guia separa os latidos mais comuns e ensina o cumprimento com as quatro patas no chão. Os princípios de recompensa usados aqui estão explicados em Como o reforço positivo funciona.
Por que o filhote se joga em cima das pessoas
Entre cães, o cumprimento é cheirar e lamber o focinho do outro. Para chegar ao rosto de uma pessoa, o filhote precisa subir. E pular quase sempre compensa: a pessoa olha, fala, toca, ri ou empurra, e até o empurrão conta como atenção. Sem notar, a família ensina que pular é a maneira certa de ganhar carinho.
A saída junta duas coisas: o pulo para de render atenção, e as quatro patas no chão passam a render bastante atenção. Quando ele pular, vire de lado, cruze os braços e não diga nada. No instante em que as patas tocarem o piso, agache, elogie e faça um carinho calmo. Se ele pular de novo, fique em pé outra vez. Com alguns dias de constância, o filhote começa a experimentar ficar no chão.
Como ensinar um cumprimento educado
Sentar e pular não combinam: o cão não consegue fazer as duas coisas ao mesmo tempo. Ensine o senta em horas tranquilas, como mostrado em Senta, deita e fica passo a passo, e depois passe a pedir o senta na hora do cumprimento. No começo, treine com o pessoal da casa, entrando e saindo pela porta várias vezes ao dia com petiscos no bolso.
Com visitas, prepare a cena. Deixe o filhote atrás de um portãozinho ou na guia quando a campainha tocar, espere a euforia dos primeiros segundos baixar e só então libere a aproximação. Peça à visita que faça carinho apenas quando ele estiver com as patas no chão ou sentado. Quem diz "tudo bem, eu gosto" está, sem querer, desmanchando o treino; explique com simpatia que ele está aprendendo.
Espalhar alguns petiscos no chão quando a pessoa entra também ajuda: o filhote abaixa o focinho para procurar, gasta a primeira explosão de energia farejando e chega ao cumprimento mais calmo.
- Treine primeiro com a família, depois com visitas conhecidas e por último com estranhos
- Deixe petiscos guardados perto da porta
- Use portão ou guia nos primeiros segundos da chegada
- Cumprimente com tranquilidade; voz fina e festa deixam o filhote mais agitado
Cada latido tem um motivo e uma resposta
Latido de alerta: barulho no corredor, interfone, porta do elevador, campainha. É um comportamento natural, ainda mais em apartamento. Em vez de gritar "quieto", que para o cão soa como você latindo junto, mostre que ouviu o aviso, vá até ele sem pressa e premie quando ele ficar em silêncio por alguns segundos. Aos poucos, dá para ensinar que o som da campainha quer dizer ir para a caminha e ganhar um petisco.
Latido para pedir atenção: o filhote encara você e late, em geral quando você está no celular ou numa reunião. Responder, mesmo que seja para brigar, reforça. Ignore o latido, mas saia na frente: entregue um brinquedo recheado antes de começar algo que exige concentração e premie quando ele ficar quieto por iniciativa própria.
Latido de tédio ou frustração: latidos em sequência quando ele está sozinho ou sem ter o que fazer. A resposta não está no latido, e sim na rotina: mais desafio para a cabeça, faro, brinquedos recheados e passeios do tamanho certo para a idade. O artigo Tédio no filhote: como perceber ajuda a reconhecer esse quadro.
Latido de medo: corpo encolhido, rabo baixo, o filhote recuando enquanto late para uma pessoa, um objeto ou outro cão. Aqui o primeiro passo é aumentar a distância do que assusta e ligar aquilo a coisas boas, aos pouquinhos. Nunca obrigue o filhote a chegar perto.
Latido em prédio e condomínio
Em prédio, latido costuma virar briga com vizinho. Algumas atitudes práticas ajudam: montar o espaço do filhote longe da porta de entrada, deixar um som ambiente baixinho para abafar os ruídos do corredor, não deixar o cão sozinho por muito tempo enquanto ele ainda está aprendendo e conversar com os vizinhos contando que vocês estão em treino.
Filmar o que acontece quando você sai de casa é essencial. Há tutores que descobrem que o filhote late só nos primeiros minutos, e outros que ele late sem parar. Nesse segundo caso, o problema pode ser a dificuldade de ficar sozinho, assunto de Como ensinar o filhote a ficar em casa sem você.
O que não fazer
Joelhada no peito, pisão nas patas de trás e empurrões fortes são conselhos antigos que ainda circulam por aí. Além de poderem machucar, ensinam o filhote a desconfiar de quem se aproxima. Coleiras antilatido que dão choque, soltam spray ou fazem um som desagradável também não são indicadas: castigam o cão sem mostrar outra opção e podem criar medo e más lembranças ligadas a pessoas, outros cães ou ao próprio ambiente.
Se o latido vem com sinais claros de medo ou agressividade, como rosnado, corpo duro ou avanços, procure um adestrador que use reforço positivo ou um veterinário comportamentalista.
Deslizes frequentes
Berrar "quieto!" a cada latido.
Fale baixo, vá até ele e premie o silêncio. O grito só aumenta a agitação.
Deixar que algumas pessoas aceitem os pulos enquanto outras reclamam.
A regra tem de valer para todo mundo, senão o filhote aprende que pular às vezes dá certo, e o hábito fica ainda mais forte.
Premiar o pulo sem perceber, com olhar, risada ou empurrão.
Vire de lado e fique calado até as patas voltarem ao chão. Só aí dê atenção.
Querer resolver latido de tédio só com treino de silêncio.
Aumente o enriquecimento e as atividades do dia; o latido tende a cair quando a necessidade é atendida.
Checklist
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Hora de chamar o veterinário
Fale com o veterinário quando
- Latido ou choro junto com sinais de dor, como mancar, gemer quando é pego no colo ou proteger alguma parte do corpo.
- Mudança repentina no jeito de latir, principalmente se o filhote também anda inquieto à noite ou parece desorientado.
- Latido com medo forte de pessoas, sons ou lugares, que não melhora com apresentações graduais.
- Latido sem parar sempre que fica sozinho, mesmo por poucos minutos.
- Rosnados e avanços contra pessoas ou outros cães.
A lista serve para orientar e não dá conta de todos os casos. Se você olhar para o filhote e sentir que algo não vai bem, acredite no que está vendo e leve-o a um profissional.
Dúvidas que sempre aparecem
Tem raça que late menos?
Algumas raças costumam vocalizar mais e outras menos, mas a diferença entre um cão e outro é grande e o ambiente conta muito. Treino, rotina e enriquecimento fazem efeito em qualquer cão.
A partir de que idade dá para ensinar o filhote a não pular?
Desde o dia em que ele chega. Quanto mais cedo a família adotar a regra das quatro patas no chão, menos o hábito se firma.
Meu filhote late para o próprio reflexo e para objetos. É normal?
Filhotes costumam latir para novidades que ainda não entendem. Deixe que ele observe de longe, premie quando se acalmar e apresente coisas novas aos poucos, como propõe a lista de sons, objetos e lugares diferentes.
Texto ligado ao tema Mordidas e comportamento. O guia desse tema reúne o que fazer em cada idade, os deslizes mais vistos e a lista inteira para marcar.
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